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A manutenção da massa magra - Por Alexandre Evangelista

17/11/2011

  A manutenção da massa magra 

Por Alexandre Evangelista 

A manutenção da massa magra é vital para a independência funcional. Em nossa crescente população idosa, 15% das pessoas acima de 65 anos e 50% dos acima de 80 anos desenvolvem sarcopenia. Estima- se que, somente nos EUA, a sarcopenia oferece um custo aos cofres públicos americanos de 18.5 bilhões de dólares por ano.

Uma das principais causas da sarcopenia se relaciona com a inatividade física. O sedentarismo ocasiona perdas significativas da força muscular o que, por sua vez, reduz a massa muscular. Alguns estudos também relacionam a sarcopenia com processo inflamatórios crônicos através de aumentos das citocinas pró-inflamatórias (IL-6, TNF, entre outros). 

Alguns métodos para o diagnóstico da sarcopenia incluem:

- Ressonância magnética;

- DEXA;

- Performance em testes físicos;

- Circunferências musculares 

Diante disso, a literatura nos fornece preciosas informações de como combater a sarcopenia. Nas linhas abaixo, podemos encontrar mais detalhes sobre cada uma delas. 

EXERCÍCIOS E ATIVIDADE FÍSICA

Ambas as intervenções (exercícios aeróbios e resistidos), têm se mostrado eficientes no combate a diminuição da massa muscular e força.

Exercícios aeróbios (ciclismo, corrida e caminhada) têm excelente relação com o aumento do condicionamento físico e melhora da resistência, porém tem se mostrado pouco eficientes em relação a hipertrofia muscular. Porém, os exercícios aeróbios se mostraram extremamente eficientes em relação a diminuição da gordura corporal incluindo a intramuscular o que, por sua vez, melhora a função muscular em relação ao peso corporal.

Em contraste com os exercícios aeróbios, o treinamento resistido tem se mostrado mais eficaz em relação ao aumento da força e da massa muscular. Aumentos nos padrão de recrutamento das unidades motoras mesmo com baixa frequência semanal. Alguns estudos chegam a relatar aumentos em torno de 11% na hipertrofia e mais de 100% na força em idosos com idade avançada (acima de 90 anos) em apenas 12 semanas de treinamento com pesos.

Idosos submetidos a exercícios de força têm demonstrado excelentes resultados em relação ao aumento na área da secção transversa tanto de fibras do tipo I quanto do tipo II. Na verdade, dados mostram que 6 meses de treinamento com pesos em idosos de 65-75 anos prooduziram ganhos em massa muscular similar àqueles atingidos por indivíduos de 20-30 anos.

Porém, para que isso aconteça, segundo a maioria dos estudos, o treinamento deve ser conduzido com ênfase na intensidade e não no volume. E, para quem tem receio de trabalhar com altas intensidades, as pesquisas comprovam, cada dia mais, que este tipo de preocupação não tem fundamento uma vez que mesmo em idosos com idade bastante avançada, não foram relatadas lesões oriundas do treinamento resistido diretamente. 

NUTRIÇÃO

Muitos idosos não consomem quantidade suficiente de proteínas o que pode levar a um aumento da redução da massa magra corporal. A recomendação corrente se baseia em 0.8 g/kg/dia porém, aproximadamente 40% das pessoas acima de 70 anos não a seguem, consumindo bem menos do que isso. Em combinação com exercícios resistidos, a ingestão protéica pode potencializar o ganho de massa muscular nessa população.

A ingestão de vitamina D também parece ser uma promissora estratégia no combate a perda do tecido magro uma vez , em idosos, sua quantidade está diminuída em 4x.

A vitamina D auxilia na prevenção da massa muscular além de auxiliar na captação de cálcio através da membrana celular. Baixos níveis de vitamina D têm sido relacionados com aumento da sarcopenia e principalmente na atrofia das fibras do tipo II. Prova disso é que a carência de vitamina D foi associada com dificuldades em realizar as atividades da vida diária (como, por exemplo, levantar de uma cadeira). Porém, mesmo apesar desses dados, a deficiência dessa vitamina ainda se faz presente em 36% a 47% dos idosos com idade entre 71-76 anos. 

CREATINA

A creatina desempenha um importante papel no metabolismo de proteínas e metabolismo celular. Tem sido hipotetizado a creatina aumenta a expressão miogênica de fatores de transcrição como a miogenina e do fator regulatório miogênico 4- MRF4, responsáveis pelo aumento de massa muscular e da força.

Até o momento, muitos estudos têm demonstrado os benefícios da suplementação de creatina em indivíduos jovens saudáveis. Porém poucos estudos tem sido feitos em relação a idosos. Enquanto alguns dados tem se mostrado promissores no aumento de massa magra e potência em idosos, outros não tem obtido qualquer tipo de resultado.

Além disso, a suplementação de creatina pode aumentar o risco de nefrite intersticial (perda súbita da função renal com repercussão em todos os órgãos) não sendo, dessa forma, recomendada para combater a sarcopenia.

Por fim, mais estudos são necessários para comprovar os benefícios das intervenções acima citada na população idosa. O que não podemos esquecer é que a Sarcopenia é um problema de saúde pública que vem aumentando exponencialmente nos últimos anos e, pro este motivo, merece nossa total atenção.

O que sabemos, até o momento, é que a intervenção através da prática regular de exercícios físicos parece ser, até o momento, a melhor solução no combate a perda gradativa da massa muscular em idosos de todas as faixas etárias

  INFORMAÇÕES RETIRADAS DO ARTIGO:  BURTON LA, SUMUKADAS D. OPTIMAL MANAGEMENT OF SARCOPENIA. CLIN INT AGING. 5: 217-228, 2010.


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