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Emoção e Exercício - Por Ana Nunciato

12/02/2012

Emoção e Exercício

Por Ana Nunciato

 

Todos sabem a respeito dos benefícios da atividade física, do exercício e do esporte, além do exercício como parte integrante no tratamento e reabilitação de algumas disfunções clínicas, isso não é mais novidade. O que pode nos parecer novo é como ficam as nossas emoções diante o movimento do nosso corpo. Contudo, a inatividade física pode estar associada, segundo a revisão de Ströhle (2009), com o desenvolvimento de transtornos mentais, como por exemplo, depressão.

Melhorar a saúde física pode levar à melhoria do bem-estar psicológico e é geralmente aceito que a atividade física pode ter efeitos positivos sobre o humor. Mas qual é a evidência empírica para essa crença? Ou seja, como a atividade física funciona quando usada no tratamento de distúrbios do humor (depressão)?

Nossos músculos estão diretamente conectados com nosso sistema nervoso central (SNC) e estruturas do cérebro relacionadas com memória e aprendizagem, como o hipocampo, podem estar em alta ou baixa atividade neurogênica.

Hoje em dia, já é conhecido que o hipocampo, um dos principais nichos neurogênicos, seja responsivo ao exercício e assim, a diminuição da neurogênese, descrita em pacientes depressivos, seria revertida em parte com a atividade física como forma de aumentar o número de neurônios desta estrutura. Vamos salientar que a atividade física não poderia substituir o tratamento farmacológico e nem a psicoterapia, mas poderia ser uma alternativa para inserir o paciente novamente na sociedade.

                Entretanto, fatores neurobiológicos e psicológicos podem estar envolvidos de uma forma muito dinâmica. Assim, os efeitos da atividade física podem estimular um sistema complexo e desencadear uma cascata de eventos (ver revisão Ming and Song, 2005), que, por exemplo, podem resultar em maior resistência contra transtornos mentais.

Um efeito preventivo pode ser especialmente relevante para indivíduos com alto risco para estas doenças altamente relevantes para saúde pública. A implementação e otimização dos programas de exercícios de treinamento para pacientes com depressão poderiam ter abordagem multidisciplinar envolvendo pesquisadores e profissionais da psiquiatria, psicologia, medicina desportiva e os prestadores de cuidados da saúde.

 

Artigo citado:

Andreas Ströhle. Physical activity, exercise, depression and anxiety disorders. J Neural Transm (2009) 116:777?784.

Ming G. and Song H. Adult Neurogenesis in the Mammalian Central Nervous System Annu. Rev. Neurosci. 2005.28:223-25.




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