A revista “Circulation” do American Heart Association (2009; 120: 2168-2169) publicou no dia 01/12/2009 no seu editorial, o artigo intitulado: EDUCAÇÃO FÍSICA NAS ESCOLAS AJUDA A REDUZIR O FUTURO RISCO CARDIOVASCULAR.
O autor é Reginald Washington do Rocky Mountain Hospital for Children and University of Colorado School of Medicine, Denver. Adaptado Por: Prof. Dr. Francisco Luciano Pontes Júnior Coordenador do Curso EXERCÍCIO FÍSICO APLICADO À REABILITAÇÃO CARDÍACA E A GRUPOS ESPECIAIS - Pós-Graduação da UGF O autor afirma que em diversas partes do mundo, a prevalência de sobrepeso e obesidade na infância tem crescido a um ritmo alarmante. Nos Estados Unidos, entre 1963 a 1965 e 2003 a 2004, houve um aumento de 348% em relação a crianças com sobrepeso de 6 aos 11 anos de idade. Este número aumentou de 4,2% para 18,8% no mesmo período de tempo. Se esta tendência continuar, 1 em cada 4 crianças nos Estados Unidos será obesa em 2015. Aumentos semelhantes no excesso de peso ou obesidade na infância também foram observadas no Canadá, o Reino Unido, China, Alemanha, França e Finlandia. No Brasil a obesidade em adolescentes está entre 6,6% e 8,4%, e em crianças entre 8,2% e 11,9%, nas regiões Nordeste e Sudeste, respectivamente (Abrantes e cols 2002). O sobrepeso e a obesidade estão associadas a co-morbidades, mesmo na infância. Embora haja menos informação disponível em jovens que em adultos, é muito claro que as crianças experimentam muitos efeitos prejudiciais do excesso de peso ou obesidade semelhantes aos adultos, e muitas vezes eles carregam estas co-morbidades na idade adulta. A lista das mais alarmantes destas co-morbidades inclui, diabetes mellitus tipo 2, síndrome metabólica, dislipidemia, hipertensão arterial sistêmica, aterosclerose, depressão, doença hepática não-alcoólica, e apnéia obstrutiva do sono. A prevalência da síndrome metabólica em adolescentes é de 4% em termos globais, mas é de 30% para 50% em peso crianças com sobrepeso.3 concomitante com o aumento na prevalência de sobrepeso e obesidade e síndrome metabólica tem sido um aumento dramático no diabetes mellitus tipo 2. Estudos em Muscatine, Iowa, e Bogalusa, La, mostraram de forma convincente que a obesidade na infância e na adolescência é um dos principais determinantes de uma série de outros fatores de risco cardiovasculares, incluindo elevações de triglicerídeos e diminuição das lipoproteínas de alta densidade (HDL-C). Estudo realizado por Goodman e Whitaker em 2002, também confirmaram a associação entre depressão e obesidade. Escores de depressão foram maiores nas crianças com o maior índice de massa corporal (IMC). Múltiplos fatores de risco para o desenvolvimento do sobrepeso ou obesidade na juventude têm sido implicados nesta epidemia. Esses fatores de risco podem ser divididos em 3 grupos. O primeiro fator de risco é um aumento no consumo de energia. Uma lista parcial dos hábitos alimentares que resultam em aumento da ingestão calórica inclui o consumo de fast food, refrigerantes, e alimentos calóricos. A diminuição do consumo de frutas e legumes também é uma tendência que contribui para a obesidade e sobrepeso. Um segundo fator de risco é a diminuição do gasto de energia. Isso ocorre com o tempo excessivo de televisão, computadores, diminuição de educação física e atividades na escola, e lição de casa excessiva. O terceiro fator de risco, que é inalterável, envolve a composição genética de uma criança, que não podem ser controlados pelo filho, mas podem predispor à obesidade. Rocchini (1987) e Ebstein (1989), demonstraram que a atividade física provoca redução, da gordura corporal e que está diretamente associadas com diminuição na pressão arterial sistólica e diastólica, diminuição do colesterol total, lipoproteínas de baixa densidade (LDL-C), triglicerídios, e resistência periférica a insulina em crianças e adolescentes. Nesta edição da Circulation, Walther e cols. (2009) descrevem um estudo que avaliou os efeitos do exercício sobre a aptidão física e sobre células progenitoras endoteliais em escolares. O estudo foi realizado na Alemanha, e foi composto de 3 grupos. O grupo controle foi submetido a aulas de educação física duas vezes por semana (45 minutos de aula, obrigatório por lei). O segundo grupo (intervenção) foi submetido a aulas de educação física diariamente. O terceiro foi composto por alunos que participaram em esportes competitivos, que fez 12 sessões de treinamento físico aeróbio de alta intensidade por semana, além de participar de atividades competitivas. O parâmetro mais interessante avaliado foram as células progenitoras endoteliais. Insuficiência do número e função de células progenitoras circulantes tem sido associada a um aumento no risco da doença aterosclerótica. Neste estudo, o número de células progenitoras circulantes aumentou na grupo de intervenção, sugerindo que o aumento da atividade física pode ter um papel na prevenção primária da aterosclerose. Extrapolação dos dados atuais sugerem que a obesidade na adolescência poderá aumentar a doença coronariana em adultos entre 5% e 16% nos próximos 25 anos, com mais de 100. 000 casos de doença coronária atribuíveis ao aumento da obesidade na infância. Especulação levaria à conclusão de que um aumento na atividade física seria útil na prevenção da obesidade e do sobrepeso e das co-morbidades associadas, além disso o estudo relatado por Walther et cols. (2009) suporta a necessidade de aumentar a educação física e atividade em crianças em idade escolar. Nota: as células progenitoras endoteliais derivadas da medula óssea parece ter um papel no reparo endotelial e que a deficiência na mobilização ou depleção destas contribuiria para a disfunção endotelial e progressão da doença aterosclerótica. Abrantes MM, Lamounier JA, Colosimo EA. Overweight and obesity prevalence among children and adolescents from Northeast and Southeast regions of Brazil. J Pediatr 2002; 78 (4): 335-40. Goodman E, Whitaker RC. A prospective study of the role of depression in the development and persistence of adolescent obesity. Pediatrics. 2002; 110: 497–504. Rocchini AP, Katch V, Schork A, Kelch EP. Insulin and blood pressure during weight loss on obese adolescents. Hypertension. 1987; 10: 267–273. Ebstein LH, Kuller LH, Wing RR, Valoski A, McCurley J. The effect of weight control on lipid changes in obese children. Am J Dis Child. 1989; 143: 454–457. Walther C, Gaede L, Adams V, Gelbrich G, Leichtle A, Erbs S, Sonnabend M, Fikenzer K, Körner A, Kiess W, Bruegel M, Thiery J, Schuler G. Effect of increased exercise in school children on physical fitness and endothelial progenitor cells: a prospective randomized trial. Circulation. 2009: 120; 2251–2259. Fadini GP, de Kreutzenberg SV, Coracina A, Baesso I, Agostini C, Tiengo A, Avogaro A. Circulating CD34+ cells, metabolic syndrome, and cardiovascular risk. Eur Heart J. 2006; 27: 2247–2255. CONFIRA OS LINKS RELACIONADOS: EXERCÍCIO FÍSICO APLICADO À REABILITAÇÃO CARDÍACA E A GRUPOS ESPECIAIS FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO - PRESCRIÇÃO DO EXERCÍCIO OBESIDADE E EMAGRECIMENTO EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR