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Core Training: muito além do abdominal - Por Prof. Cauê V. La Scala Teixeira

02/08/2011

Core Training: muito além do abdominal - Prof. Cauê V. La Scala Teixeira 

            Você já ouviu falar em core training?

   Core é um termo da língua inglesa que corresponde à parte central ou à parte mais importante de alguma coisa (Faries e Greenwood, 2007).

    No corpo humano, o core compreende a região entre o osso esterno e os joelhos, com foco nas regiões abdominal, lombar e do quadril. Em outras palavras, é a região central do corpo (Santana, 2005).

   Sendo assim, core training pode ser entendido como o treinamento das regiões abdominal, lombar e de quadril.

    Por influência cultural, as pessoas tendem a valorizar o treinamento dos músculos abdominais em relação aos demais músculos que compreendem a região central do corpo.

   Se fizermos uma análise histórica de nossas vidas, chegaremos à conclusão semelhante. Na infância, por exemplo, nas aulas de educação física escolar, existia o famoso "paga dez". O "paga dez", geralmente, era baseado na execução dos exercícios de polichinelo, flexão de braços e abdominais.

   Já na adolescência, os indivíduos costumavam praticar modalidades esportivas competitivas, em que os treinadores adotavam o mesmo "paga dez" presente na educação física escolar. Você já "pagou dez" executando exercícios para a região lombar?

     Na fase adulta, as pessoas são mais influenciadas pelo marketing presente nos meios de comunicação, dentre os quais, a televisão. Poucas horas de observação em qualquer canal de vendas, permitem ao indivíduo tomar conhecimento de uma série de equipamentos voltados ao trabalho dos músculos abdominais: Ab King Pro, Ab Shaper, Ab Swin, Ab Toner, entre outros.

  Você já escutou falar em Lumb King Pro, Lumb Shaper e Lumb Swin? Esses, supostamente, seriam os aparelhos destinados ao trabalho da região lombar, porém, eles não existem!

   Continuando nossa análise histórica, a pessoa, depois de adulta e influenciada pela mídia, ingressa em programas orientados de exercícios físicos com objetivos prioritariamente estéticos, sendo que, geralmente, valorizam a estética abdominal.

   Sendo assim, os alunos chegam à academia e dizem: "Professor, quero ficar forte e com o abdominal definido". Você já escutou algum aluno dizer: "Professor, quero ficar forte e com a região lombar definida"? Eu, particularmente, nunca escutei.

    Após toda essa vivência e com a forte influência cultural que, infelizmente, atinge o âmbito profissional, os profissionais do exercício tenderão a enfatizar a prescrição dos exercícios abdominais, negligenciando aqueles destinados ao desenvolvimento dos demais músculos do core. Essa ainda é uma realidade presente nas academias.

    A supervalorização dos músculos abdominais e a negligência ao trabalho dos demais músculos, incluindo seus antagonistas, tende a gerar desequilíbrios musculares. Segundo Verderi (2005), todo desequilíbrio que ocorre nas cadeias musculares leva a um desequilíbrio do tônus muscular e à má postura.

   Graves e Franklin (2001) afirmam que uma crença comum nas comunidades de reabilitação e exercício é que o condicionamento dos flexores do tronco (abdominais) deveria ser a prioridade nos protocolos de treinamento para aliviar ou prevenir as dores na região lombar. No entanto, evidências atuais sugerem que a fraqueza na musculatura lombar (resultante do desuso) está intimamente ligada à dor na região lombar, em vez da fraqueza dos abdominais.

   Se tomarmos como base a proporção fisiológica natural de força entre flexores e extensores do tronco, que é de 1:1 (Bompa, 2001), a prescrição de exercícios para tais musculaturas deveria ser proporcional, ou seja, 1:1. Porém, essa ainda é uma realidade distante da que vivemos.

    Portanto, chegou o momento de analisarmos nossa conduta profissional! Para isso, devemos separar e distinguir dois conceitos distintos: conhecimento técnico e crença cultural.

  A prescrição do exercício deve levar em consideração, prioritariamente, o conhecimento técnico. Isso engloba os conceitos de anatomia, fisiologia humana e do exercício, cinesiologia e biomecânica, bioenergética, dentre outras disciplinas que aprendemos e abandonamos lá na graduação.

   A partir do momento em que a influência cultural se sobressai ao conhecimento técnico, algo está errado. Reflita, repense, reformule suas idéias!

Referências Bibliográficas

BOMPA, T.O. A periodização no treinamento esportivo. São Paulo: Manole, 2001.

FARIES, M.D.; GREENWOOD, M. Core training: stabilizing the confusion. Strength and Conditioning Journal. 29(2): 10-25, 2007.

GRAVES, J.E.; FRANKLIN, B.A. Treinamento resistido na saúde e reabilitação. Rio de Janeiro: Revinter, 2006.

SANTANA, J.C. Strength training for swimmers: training the core. Strength and Conditioning Journal. 27(2): 40-42, 2005.

VERDERI, E. Programa de educação postural. 2 ed. São Paulo: Phorte, 2005.




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